novembro 03, 2012

Vergonha nacional




O povo brasileiro acompanhou, com inusitado interesse, o famoso caso do Mensalão, envolvendo um grupo de indivíduos travestidos de empresários e políticos, julgados pela suprema corte brasileira. A maioria desses cidadãos, até então acima de qualquer suspeita, foi condenada.

Durante três meses, oito homens e apenas duas mulheres de capa preta protagonizaram um espetáculo jamais visto no judiciário nacional. Frente às câmeras de televisão, os Meritíssimos se revezaram em ataques a seus pares, com demonstrações de conhecimentos jurídicos, poéticos e filosóficos.

O que deveria ser ordinário transformou-se em extraordinário. Ao aplicar os ditames da Lei, o Douto Julgador foi ungido à figura de um deus da Justiça, elevando-se ao cume do Olimpo  tupiniquim.

Poder e corrupção sempre caminharam de braços dados na estrada esburacada, lamacenta e malcheirosa da política brasileira. Uma política sadia é ‘higiene moral’ dos povos desenvolvidos, ao passo que a corrupção transforma-se no câncer das nações moralmente doentes.

Sob certo aspecto, o Poder Judiciário brasileiro provou ser verdadeira a afirmação da filósofa alemã Hanna Arendt, segundo quem “a banalidade do mal pode e deve ser combatida”. O desvio de conduta humana foi sentenciado por Aristóteles: “O homem, quando ético, é o melhor dos animais; mas, separado da Lei e da Justiça, é o pior de todos”.

Parafraseando nosso metafórico ex-presidente, creio que nunca, jamais, em tempo algum se viu no País tanto desmando, tanto descaso com a coisa pública. Justiça seja feita: tal ato ou tal fato não constituem primazia ou exclusividade de governos atuais. Ao contrário, a rapinagem é tradição secular na administração de nossa espoliada pátria mãe gentil.

Será sempre mais fácil calar. No entanto, com cada vez mais freqüência, é impossível não dizer.

(Imagem: Flickr, do álbum de mysticpolitcs)


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