O
povo brasileiro acompanhou, com inusitado interesse, o famoso caso do Mensalão,
envolvendo um grupo de indivíduos travestidos de empresários e políticos, julgados
pela suprema corte brasileira. A maioria desses cidadãos, até então acima
de qualquer suspeita, foi condenada.
Durante
três meses, oito homens e apenas duas mulheres de capa preta protagonizaram um
espetáculo jamais visto no judiciário nacional. Frente às câmeras de televisão,
os Meritíssimos se revezaram em ataques a seus pares, com demonstrações de conhecimentos
jurídicos, poéticos e filosóficos.
O
que deveria ser ordinário transformou-se em extraordinário. Ao aplicar os
ditames da Lei, o Douto Julgador foi ungido à figura de um deus da Justiça,
elevando-se ao cume do Olimpo tupiniquim.
Poder
e corrupção sempre caminharam de braços dados na estrada esburacada,
lamacenta e malcheirosa da política brasileira. Uma política sadia é ‘higiene
moral’ dos povos desenvolvidos, ao passo que a corrupção transforma-se no
câncer das nações moralmente doentes.
Sob
certo aspecto, o Poder Judiciário brasileiro provou ser verdadeira a afirmação
da filósofa alemã Hanna Arendt, segundo quem “a banalidade do mal pode e deve
ser combatida”. O desvio de conduta humana foi sentenciado por Aristóteles:
“O homem, quando ético, é o melhor dos animais; mas, separado da Lei e da
Justiça, é o pior de todos”.
Parafraseando
nosso metafórico ex-presidente, creio que nunca, jamais, em tempo algum se viu
no País tanto desmando, tanto descaso com a coisa pública. Justiça seja feita: tal
ato ou tal fato não constituem primazia ou exclusividade de governos atuais. Ao
contrário, a rapinagem é tradição secular na administração de nossa espoliada
pátria mãe gentil.
Será
sempre mais fácil calar. No entanto, com cada vez mais freqüência, é impossível
não dizer.
(Imagem: Flickr, do álbum de mysticpolitcs)

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