novembro 10, 2012

A felicidade


Sem dúvida o Homem deseja incondicionalmente ser feliz, mas esse desejo é permeado de dúvidas e de sofrimento. Isto porque o ser humano é dotado do dom da reflexão e da crítica – qualidades que o colocam no patamar da Criação, embora também o tornem preocupado com o futuro e amargurado pelo fardo de erros cometidos no passado.

Na Índia, acredita-se que Deus pronuncia apenas a palavra “sim”. Na verdade, Ele não diz sim ao que as pessoas pedem, mas ao que creem. Se você não acredita na felicidade, Ele apenas pode ajudá-lo a ver que tem razão. Shakespeare afirmava, sobre nossos medos, que “nada é bom ou mau , é o pensamento que o torna assim”.

A felicidade não existe fora de nós, onde geralmente a procuramos, mas dentro de nós. É lá onde raramente a encontramos. Ela é o ponto de equilíbrio entre a necessidade e a possibilidade, isto é, entre o que queremos e o que podemos. A felicidade é uma capacidade interior de se adequar à realidade e dela extrair todas as alegrias possíveis.

É bom e reconfortante saber que recebemos tudo de que precisamos para sermos felizes. O triste é perceber que, frequentemente, não sabemos usar o que nos foi dado. Precisamos entender que não existe o bem sem o mal, a luz sem a escuridão, o dia sem a noite, o amanhecer sem o entardecer, a perfeição sem a imperfeição. 

Quando você consegue aceitar as contradições que a vida oferece, quando segue de bom grado a correnteza entre as margens do prazer e da dor, experimentando ambas mas não encalhando em nenhuma, você merece ser feliz.

(Imagem: Flickr, do álbum de Mansour Ali)

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